segunda-feira, 13 de abril de 2026

 

MEU DIA A DIA NA ESCURIDÃO

Por: Roberto Miranda

Eu passei meus dias nos últimos anos só imaginando coisas.

Acordava de manhã e entre as cinco e onze horas assistia aos noticiários matutinos. Depois eu via as novidades anunciadas na internet no campo da astrofísica e da ciência, e em seguida, eu passava algumas horas meditando sobre cada assunto.

De tanto fazer isso eu me tornei uma espécie de cientista amador com opinião própria sobre certos aspectos da realidade científica e fui um dos primeiros a afirmar que o Big Bang nunca existiu.

Lá pelas 18 h eu sentava em frente ao computador e abria o arquivo de rascunho para novas ideias ou o novo livro da saga Escuridão Absoluta.

Para aproveitar a informação que coletava eu tinha de me concentrar e usar dos recursos de pesquisa da internet e aplicativos disponíveis para realizar consultas ao dicionário e fazer a análise gramatical de alguns trechos de ação.

Devido a uma dificuldade de buscar as informações mais antigas guardadas em minha mente, o processo de escrever os meus livros era bem lento. Levei trinta anos para dar um ponto final no Volume Um.

Não tenho falta de memória, mas ela falha na hora de guiar as ideias e me chega a causar desordem por ter de juntar fragmentos de um número absurdo de informação científica.

Isso mesmo. Embora seja ficção e fantasia eu uso conceitos científicos.

Enquanto descrevo-os no capítulo eu não consigo lembrar-me de todas as regras gramaticais e só vejo o que há de errado após algumas horas ou dias. É um mistério, mas eu consigo vislumbrá-las quando faço a revisão, uma, duas, três vezes ou quantas mais necessárias.

Foi duro fazer tudo sozinho, mas tinha de ser porque descobri que escrever ficção científica atrai roteirista de streaming e blockbusters com blecaute criativo, e o sentimento de assistir aquela cena de ação que imaginou para o livro na sua série ou filme preferido é de matar.

Você vai notar ao ler o livro porque eu fiz questão de manter a originalidade, pois foram descritas anos antes dos roteiros serem pensados.

Usar os aplicativos on-line disponíveis até o ano passado era um estorvo, pois além de caros eram sem muita exatidão. Por pura necessidade obrigava-me a ler todo dia o que escrevia, porque minha habilidade de escrever com clareza desde o início foi se perdendo conforme os anos foram se passando.

Hoje disponho da ferramenta de IA para a revisão de trechos em busca de erros de pontuação, sinônimos de palavras e concordância gramatical, cuja descrição é mais complicada.

Antes disto, eu fazia a revisão de cada parágrafo inúmeras vezes e escrevia os capítulos diversas vezes, sendo que cada livro foi narrado de muitas maneiras diferentes até ganhar o seu formato final.

A maior parte do trabalho de revisão é tratar da comunicação narrativa entre os parágrafos e a interação do diálogo entre os personagens para definir o conteúdo dentro dos parâmetros de entretenimento do projeto.

Eu passo meus dias na escuridão, sem muita segurança do que escrevi até a minha mente processar tudo e ter a visão clara daquilo que estou a construir com palavras ­- o que nem sempre foi notado antes de eu publicar um teste de campo -, mas agora que tenho meu ajudante, só depois de checar tudo eu prossigo.

Por essa razão eu peço perdão se não vi uma vírgula.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

23ª BIENAL DO LIVRO - SP

Participar deste evento foi uma experiência gratificante, pois haviam alunos de diversas escolas com quem podia falar sobre aventura e ficção, inclusive estas lindas campinenses que me prestigiaram nesta foto.


escuridaoabsoluta@escuridaoabsoluta.com.br

sábado, 23 de março de 2013

Estorias de Minuto - 3

Um dia longe de casa
Por Roberto Miranda.

A primeira expedição aos objetos extrassolares aportou em Plutão com uma estação completa.
Os doze tripulantes passaram a exercer suas atividades confortavelmente acomodados nos módulos laboratoriais aonde dispunham de equipamentos de alta performance para compartilhar informações com o centro de comando na Terra enquanto exploravam o gélido mundo. A luminosidade de dia ali dependia do quanto a orbita ia aproximando-o do Sol, depois disso seria sempre noite eterna.
A princípio os astronautas efetuaram perfurações no solo rochoso e colheram amostras em barras cilíndricas para pesquisar o passado geológico do astro, considerado anteriormente um planeta.
Para não perderem o sentido de tempo de um dia terrestre a missão estabeleceu a jornada de trabalho com base nas 24 horas da Terra. O controle feito por computador não os deixaria desorientados ou perderem horas de sono.
Um dia longo naquelas condições devia parecer para os astronautas um pouco menos estressante do que a maratona de serviços prestados numa cidadezinha da Terra.

Estorias de Minuto - 2

A Flor de Marte

No inóspito planeta vermelho o veículo explorador autômato analisa o solo de um jardim petrificado, com flores de pétalas largas, na sombra da vala e conclui que outrora um rio de água doce correra por ali. E se Marte já foi um dia como a Terra, somente um cataclismo sideral haveria de desequilibrar o meio ambiente.
Após novas analises, resíduos microscópicos indicaram ter ocorrido uma forte concentração de radiação que esterilizou o solo em questão de dias. Talvez tenha sido um pulso de raios gama expelido do coração de um buraco negro em outra galáxia, do qual, mais cedo ou mais tarde, o planeta Terra ficará na sua mira.

Estorias de Minuto - 1

O Borrão no Sol
por Roberto Miranda.

Era um final de semana de verão.
A praia lotada e esplendidas mulheres bonitas remexendo o corpo na batida das ondas. Eu, como sempre, fiquei tomando minha cervejinha debaixo do guarda-sol e olhando as musas de óculos escuros. Em um fone auricular dependurado no ouvido esquerdo escutava musica de uma radio local quando minutos depois o som cessou de repente.
Tentei inutilmente outra estação, mas só captava chiado no ar. Imediatamente notei as pessoas em redor com o mesmo problema, uns até enterraram os tocadores na areia após se arrependerem de o ter adquirido no Paraguai.
Eu continuei na minha.
Cinco minutos mais tarde alguns banhistas sombrearam os olhos para avistar algo no céu. Eu segui o olhar e vi alguma coisa tapando o brilho do sol, mas não era a lua.
Um enorme objeto errante entrara no sistema solar a mil e estacionou na frente da coroa solar, escurecendo o céu enquanto obliterava o respaldo de luz agonizante da coroa, até por fim o sol morrer.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Uma inimaginável maneira de contar uma lenda indígena

A lenda dos Caiapós é bem simples e a figura de Bep-Kororoti torna-a factivel uma vez que a tal arma de raios, o cajado, apresenta conceito similar aos das pistolas de ficção científica dos anos 50. No entanto, a transposição do povo do céu para a floresta virgem na Terra me permite criar uma atmosfera tipica das aventuras espaciais, reservando muitas surpresas.

sábado, 2 de junho de 2012

VISÃO DO NADA

ESCURIDÃO ABSOLUTA
VISÃO DO NADA

As estrelas sumiam, uma a uma, sem sugerir o que as fazia entrar em colapso e anular o seu brilho. Podia significar um tipo estranho de buraco negro, girando a milhões de rotações por segundo, invariavelmente quase despercebido. Vocês me puseram aqui em cima e sabiam que eu ia encontrar, sabiam? Se Carl Sagan estivesse aqui seria capaz de imaginar a civilização entre aquelas estrelas, e se chegou a evacuar o planeta ante provável ameaça. Eu estou pensando se devo revelar isso a alguém, mas seja lá o que for manterão sigilo absoluto. Chega de histeria. Já fazem décadas e pessoas continuam a ver homenzinhos verdes por todo lugar. Como quando descuidaram e deixaram vazar a informação sobre as emissões de rádio enviadas por outra civilização, alguém quis tirar proveito político para obter verbas federais e saiu alardeando a respeito de um sussurro no cosmo. Tiveram ainda a desastrada idéia de divulga-lo como o ruído estático da explosão primordial do Universo. Os céticos exigiram provas, e por esse motivo foram gastos milhões de dólares para construírem instrumentos com sensibilidade para enxergar tudo que é invisível no Universo. Vocês procuraram e está agora na minha lente de quatro metros de comprimento. Só não tinham ideia que o Universo esta se destruindo como nunca imaginamos. Eu vejo melhor para  lhes dar essa notícia. Durante os próximos quarenta e cinco minutos ficarei sob a sombra de Júpiter e irei obter novas medições desta catástrofe. Certamente vai nos proporcionar grandes debates no próximo milênio e antecipar algumas coisas. Houston! Não tenha pressa em responder perguntas. Hoje elas parecem tolas. Câmbio e desligo!

Este texto fazia parte dos eventos intermediários a serem alocados entre os capítulos do livro, mas essa ideia não prevaleceu. Notem que há uma mensagem viajando pelo universo desde a criação e está absolutamente incorporada à razão de existir da escuridão absoluta. Muitas outras obras de ficção já exploraram culturas mais antigas que o próprio Universo, sem ter relação com o ruído de fundo cósmico. Uma serie americana tentou usar este principio, porém, não conseguiu concluir o arco de historias. Eu mesmo considero este tema dificílimo demais para cair no gosto do publico.